Mordidas, como lidar com elas?

Muitos autores que analisam e classificam os estágios do desenvolvimento infantil tem concordado na centralidade que a boca assume nos primeiros anos de vida. Sem aprofundar as especificadades de cada corrente de pensamento que aborda o assunto, concorda-se que seja bastante normal que a criança leve praticamente tudo à boca nessa fase.

A partir da boca, a criança não apenas se alimenta e expressa suas necessidades físicas e emocionais, como todos fazemos, como também experimenta texturas, já que, até aproximadamente os 2 anos, é o principal canal que utiliza para lidar com o mundo.

Nessa fase, como as formas de comunicação e interação adequadas ao convívio social ainda não estão desenvolvidas, a criança pode se utilizar de um recurso que acaba por incidir nos aspectos emocionais dos pais: a mordida.

Ter o seu filho ou filha mordida por um coleguinha pode significar sentir-se culpado por não conseguir protegê-lo suficientemente das adversidades do mundo a sua volta. Por outro lado, ser o responsável por uma criança que tem o hábito de morder as pessoas ou os coleguinhas, pode ser motivo de alguma vergonha.

Para lidar melhor com essas sensações distintas e ter um posicionamento apropriado ao desenvolvimento da criança é importante reconhecer que embora a prática da mordida seja uma forma de interação desagrável aos envolvidos, ela é comum nos anos iniciais da criança, que tem sua linguagem em processo de desenvolvimento.

A mordida pode ser tanto uma forma de a criança demonstrar um afeto, como pode significar que talvez tenha alguma de suas necessidades fisiológicas não atendidas ou, ainda, que esteja passando por algum estado de tensão, como a separação dos pais, a entrada de um irmãozinho na família ou um novo colega na turma.

O importante é reconhecer que essa prática não necessariamente significa agressividade, mas é antes uma forma de interação e/ou expressão por parte de quem ainda não tem sua habilidade comunicativa desenvolvida.

Uma forma de participação consciente e responsável nessa fase infantil, de estruturação emocional, colabora para que a criança encontre meios adequados e efetivos para canalizar a expressão de suas necessidades, problemas ou afetos.

 

Equipe Quintal 7 Cores

Outubro/ 2018



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